O magnésio como suplemento
Publicado por Ricardo Fonseca em Abril 22, 2008
Será necessária a suplementação com este mineral?
Há o hábito de se ouvir as pessoas dizer que foram aconselhadas a tomar magnésio porque têm cãibras – principalmente nocturnos – e também por se sentirem cansadas durante a maior parte do dia. Sendo assim, suplementos à base deste mineral são consumidos na ideia que desta forma terão melhoras no seu rendimento físico diário e intelectual. Assim, as cãibras tão dolorosas que nos aparecem muitas vezes quando estamos a dormir acreditamos que desaparecerão como por arte de magia se consumirmos magnésio.
Comecemos por esclarecer algumas questões relativamente a esta substância. O magnésio é o quarto elemento mais abundante no organismo e está associado a outros dois importantíssimos minerais, o cálcio e o fósforo. Alimentos como a maioria das frutas, verduras (especialmente de folha verde) e os produtos integrais, são muito ricos em magnésio, aos que podemos juntar alguns mariscos.
No nosso corpo, importa recordar, que 50 e 60% do total deste mineral armazena-se no nosso sistema esquelético, o que nos protege de potenciais necessidades extra em situações de dietas de emagrecimento severas que limitam a quantidade necessária do mineral, assim como, em casos de alto nível de stress físico devido a treinos intensos.
As funções do magnésio são muito importantes no nosso organismo, destacando-se entre elas as que estão associadas à saúde dos ossos – prevenindo a sua fragilidade, a participação na síntese proteica, e em outras ligadas a processos de produção de energia para a contracção muscular, em funções neuromusculares, no nosso sistema cardiovascular e no hormonal.
Torna-se muito importante destacar que, como consequência de que uma grande quantidade de magnésio se encontra nos músculos, muitas pessoas recorram a suplementos de magnésio convencendo-se que as sensações de fraqueza muscular e outras como cãibras, têm a ver com a falta deste mineral.
Por exemplo, instituições como a National Research Council, entre outras, diz que as deficiências de magnésio na população em geral são muito raras, principalmente quando as pessoas têm uma alimentação normal, e por isso equilibrada. E isto deve-se ao facto de este mineral se encontrar disponível numa grande quantidade de alimentos. E mais, as nossas águas assim como praticamente todas as bebidas desportivas, também são ricas em magnésio, o que implica reconhecer que a ingestão destas bebidas e de estes alimentos colabora grandemente para a reposição das potenciais percas deste mineral.
É certo que nos casos dos sujeitos que realizam esforços intensos, a diminuição de magnésio é potenciada pela sua participação na contracção muscular e nos processos de consumo de gorduras pelo corpo quando fazemos exercício, ao que lhe devemos juntar as perdidas que ocorrem através do suor e pela urina. Esta redução é pobre quando se compara com a que temos armazenada no nosso corpo, e sobretudo com o que repomos com a alimentação diária.
É portanto derivado ao que foi mencionado que na generalidade há consenso entre os cientistas que, salvo os casos dos indivíduos que levam a cabo um treino físico prolongado e intenso, a suplementação com magnésio não tem fundamento pois a carência do mesmo é muito pouco provável que aconteça.
Finalmente esclarecemos que, a ingestão em excesso de magnésio não se associa a problemas de saúde (excepto nos indivíduos que possam ter disfunção renal e por essa razão não possam eliminar o excedente), foram relatados casos de cefaleias em quem se suplementou com magnésio, bem como náuseas, vómitos e diarreias.
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